sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

FEIRA-LIVRE

Não sei se você leitor(a) frequenta ou algum dia já passou perto de uma feira-livre, aquela das frutas, verduras, legumes, pastel e peixe. Já há algum tempo frequento as feiras nas manhãs de quinta ou sexta para compra de frutas e verduras. Se estivesse ao meu alcance, transformaria a feira-livre em patrimônio da humanidade, protegendo-a de todos os elementos que a coloquem em risco de extinção. Digo isto, pois não existe coisa melhor do que ir a uma destas feiras para comprar frutas, verduras e levar de graça aulas de bom humor, atendimento, economia e relacionamento.

O público frequentador da feira tem um qualquer de especial. Adoro ver aqueles encontros calorosos entre as senhoras contando as novidades, falando sobre as filhas, netas, sobrinhas. Alguns dos senhores estão a discutir a economia visto que o preço de determinada leguminosa ou fruta desperta o assunto que se esvai para o lado da política econômica. Sim, a feira é um termômetro da economia medindo a inflação e quem frequenta, teria autoridade para um debate olho no olho com um ministro da fazenda por assim dizer.

Neste ambiente, alguns atendentes dão uma aula de bom atendimento que deixaria qualquer dono de empresa com inveja. Um outro ponto marcante é o bom humor que chega a contagiar. Estava em uma barraca escolhendo umas frutas quando uma senhora chega e brinca com o feirante travando o seguinte diálogo:

“- Escuta aqui menino, a semana passada comprei umas laranjas aqui e elas não estavam doces. Você não tá me enganando não né menino ? “

O rapaz com um bom humor peculiar responde:

“- Dona Ambrósia bom dia. Isto não pode ter acontecido. Acho que foi o jeito como a senhora chupou a laranja. Esta laranja é para ser degustada olhando a natureza, bem devagar, sentindo bem o caldo, pois caso contrário, azeda mesmo. A senhora não estava brigando com o marido na hora não ? Eu estou sem o manual aqui de como chupar esta laranja, mas prometo que na semana que vem eu trago. Tem mais dona Ambrósia, aqui a senhora manda. Se estava azeda a senhora tem direito a mesma quantidade de graça desta vez. “

A mulher brinca novamente:

“- Menino, eu vou levar novamente e não de graça. Vou pagar mesmo, mas se tiver me enganando vai se ver comigo semana que vem.”

A mulher escolhe e paga e o cara continuando o bom humor pergunta:

“- Nota Fiscal Paulista ?” o que remete todos a dar muita risada (isto porque a banca mal tem uma gaveta para colocar dinheiro, imagina se vai conseguir emitir uma nota paulista), inclusive a senhora que estava a pagar soltando o fechamento do diálogo:

“- Você não tem jeito mesmo !”.

Na narrativa é difícil expressar o bom humor deste diálogo dos dois personagens, mas eu que presenciei o fato dei muita risada. Em tempos onde todo mundo fica falando de Stand_Up, este cara coloca toda esta turma no bolso com sua criatividade. A senhora também é personagem marcante, pois vi que para ela era uma diversão escutar as argumentações do rapaz.

Assim é a feira por onde caminho entre os corredores, aromas e cores, escutando receitas dadas ao ar livre, gente falando da saúde de outras pessoas, lamentando a derrota do time e principalmente, comentando as manchetes que ocuparam destaque nos últimos dias. Não poderia deixar de citar a famosa barraca de pastel e não tem lugar melhor para degustar o real sabor de um pastel. Acredito que de tão gostoso, ele nem aumenta o colesterol, pois o prazer de ir a feira cura os males que ele possa vir causar. Se a dupla pipoca com guaraná ficou famosa numa propaganda, aqui seria a dupla pastel com caçulinha.

Ao lado da feira de frutas e verduras tem a feira de “bugigangas” onde se acha desde baralho de jogo do mico até livro de filosofia. Impressionante como tem coisas malucas nesta feirinha. Aparelho de som velho, fio de extensão, roupas, sapatos, ferramentas diversas, relógio, fita de vídeo (encontrei uma do Daniel Boone se dá para acreditar !) revistas velhas de todas as editoras, torneiras, chuveiros etc. Além disto, tem a UTI das panelas (fantástico o nome, que criatividade !) onde você deixa sua panela e ela vira novinha em folha seja qual defeito tiver. Neste mesmo lugar, tem uma banca de vendas de Cd’s onde o cara brinda a feira com sucessos de todos os tempos. Normalmente toca músicas de todos os tipos, de grandes sucessos das novelas a Roberto Carlos, Benito Di Paula etc.. Nesta semana tocava os grandes sucessos do Wando que morrera há alguns dias. Quer empreendedor mais antenado no mercado do que este ? Vi o pessoal lá comprando os Cd’s do rapaz. (Como observação, a música brega brasileira já foi muito melhor – olha o paradoxo - visto que agora vamos de Michel Teló - sem comentários!).

Por todos estes motivos, a feira livre, não somente as que eu frequento , mas todas espalhadas pelos cantos do Brasil, para mim são patrimônio e não deveriam nunca deixar de existir. Quando era pequeno não entendia como meus pais acordavam tão cedo apenas para ir à feira. Como que algumas respostas demoram a chegar! Tomara que todos nós tenhamos a vontade de evoluir sem destruir elementos tão enriquecedores da convivência humana.

Vida longa a feira-livre !!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Criança, a médica e os nossos monstros !

Olá pessoal. Andamos com um espaço de tempo entre as publicações por falta de tempo mesmo e não por falta de assunto. Volto agora para continuar nossos diálogos através das letras.


Precisamente no mês de junho passamos por uma experiência diferente em nossas vidas. Como em todo tipo de situação é possível aprender e acredito que aprendemos muito. Em abril nosso filho José Renato teve uma infecção de garganta das várias que ele vem enfrentando desde pequeno. Como em todas as anteriores, o tal antibiótico foi receitado. Ao findar do tratamento (oito dias tomando a droga) nada da famigerada dor ir embora. O diagnóstico foi trocar de antibiótico, mas daí não há estomago que aguente. O resultado da brincadeira foi tomar o novo antibiótico através da veia durante novos oito dias. Vendo todo o quadro e fazendo um balanço do sofrimento que ele vinha passando desde bebezinho, decidimos que era chegada a hora de submetê-lo a uma cirurgia para retirada de amigdalas e adenoide. Diante de todo o quadro anterior e os sofrimentos de respiração noturna, tomamos a decisão. Procuramos a médica Dra Carmem (falarei um pouco mais dela a seguir) para iniciar o processo. Na primeira consulta, conversamos e falamos do caso e num exame detalhado realmente a cirurgia era a melhor situação. Nossa preocupação era aquela de pais de filho único indo para uma cirurgia. Tensão, preocupação. Por mais simples que possa ser a cirurgia, não deixa de ter riscos devido à anestesia geral, recuperação etc.

Aparecem a partir daí, dois personagens que nos fizeram aprender muito com a situação. O primeiro personagem é a criança com toda a festa e olhar diferente do mundo. A simples notícia de ter de tomar sorvete e milk-shake para se curar foi o suficiente para o carinha ficar muito feliz. Ele não via a hora de chegar a cirurgia. Uma confiança fantástica, afinal, segundo ele, "eu não vou ver nada mesmo e depois, milk-shake "! Por mais que a criança ainda não entenda de todos os riscos que citei acima, a visão do mundo é muito diferente. Tem um olhar positivo sobre tudo e qualquer problema é incapaz de transpor seu escudo protetor contra a preocupação. Chegado o dia da cirurgia, eu e os demais ao meu redor numa pilha de nervos e o carinha dando risada. Colocou a camisola cirúrgica e foi uma farra, dando risada daquela situação ridícula, onde aquela tradicional abertura de camisolas de hospital, expõem-nos ao ridículo. Qualquer adulto perderia o humor com isto, mas uma criança dá risada do ridículo e como ele mesmo disse "meu bumbum está de fora". Até hoje é nítido em minha memória o carinha deitado na maca e se encaminhando para a sala de cirurgia. Estava coberto e só aparecia o rosto que guardava um sorriso gigantesco de quem estava se divertindo com a situação inusitada. Chega a hora da separação, onde ele tem de seguir sozinho pelo corredor do hospital. Beijos e o olhar consolador de alegria do carinha que imaginava mas não sabia o que lhe esperava. Ali, ele já estava anestesiado e protegido pela autoconfiança, coisa que nos falta em diversas situações da vida. Sim, uma criança ensina muito mais do que aprende.

Nem preciso falar que foram as três horas mais intermináveis do planeta. Até nisto tem o lado positivo; dá para medir o quanto o amor pode ser gigantesco a ponto de doer mais que fisicamente. Senti ali a dor do amor de quem daria tudo para trocar de lugar.

A cirurgia correu de forma maravilhosa. A recuperação foi um pouco difícil nos dias que se seguiram, mas tão logo as dores deram uma trégua o carinha já estava rindo da vida novamente. A vida realmente para uma criança tem o sabor de um milk-shake.

A segunda personagem deste acontecimento chama-se Dra.Carmem. Com ela verifiquei que as escolhas sempre estão em nossas mãos. Fazia tempo que não sabia o que era ser tratado como gente diante de um médico. Evidente que ir ao médico não é algo prazeroso, pois só de ir já indica que algo está errado, porém a maioria deles torna a experiência 100% pior do que é. Consultório com filas intermináveis, uma agenda nunca estabelecida com precisão, com margem de erro nos horários mostrando um desrespeito total com o ser humano; somando-se a isto, geralmente na maioria dos consultórios, encontramos secretárias nem sempre simpáticas, não vemos e nem temos a disposição sequer um café ou coisa parecida para compensar o desrespeito do horário. Para coroar toda a falta de cuidado, ele, o próprio médico, dá o toque final utilizando-se da falta de explicação adequada e em alguns casos demonstrando nitidamente a prepotência dos que pensam estar muito acima daquele que está a sua frente, não passando um minuto de firmeza sobre seus diagnósticos.

Estando acostumado a todos estes fatores é que seguimos até o consultório de Dra.Carmem para a consulta de José Renato. Até ser atendido as coisas estavam meio que iguais e ainda estava meio que descrente quanto ao atendimento que nos seria prestado ao atravessar a porta. Quando enfim fomos atendidos, senti a diferença logo no início. Um tino profissional para lidar com o ser humano como ninguém. De cara, estabeleceu-se uma empatia entre médico e paciente e entre todos nós naquela sala. Não deixou de explicar nada, dos riscos inclusive. Conversou conosco como se fossemos velhos conhecidos. Conseguiu perceber nossa aflição com relação a submeter o filho a uma cirurgia e com maestria, tratou toda a situação sem esconder nada, mas passando uma confiança que nos encorajou a seguir em frente. O atraso que ocorreu para sermos atendidos foi diferente, pois ali tinha uma médica que dava atenção aos seus consultados, o que deveria ser regra e não exceção. Fizemos ali realmente uma consulta médica. Marcamos os exames e voltamos a nos encontrar duas semanas depois. Mais uma vez, um atendimento de primeiro mundo por parte dela, continuando a nos encorajar, estabelecendo uma amizade com o José Renato, o que nos deixava tranquilos a seguir adiante. No dia da cirurgia, a mesma atenção. Quando saiu da sala de cirurgia, nos procurou e nos tranquilizou, falando sobre a cirurgia e os procedimentos a seguir dali em diante. Deixou seu celular e adiantou que qualquer problema estaria a disposição.

Dra. Carmem nitidamente gosta do que faz e faz bem feito. É uma daquelas pessoas que estão dentro daquele índice dos 5% que fazem a diferença no que fazem. O meu plano de saúde paga a mesma coisa a ela e aos outros médicos; ela tem uma rotina de trabalho extensa como os outros; vive sob tensão em processos cirúrgicos que exige precisão assim como os outros médicos. Então o que diferencia ela dos outros ?

Talvez seja que a Dra.Carmem tem a mesma visão de mundo que o José Renato, ou seja, continua a ver o mundo com o olhar da criança, aquele olhar que permite tomar atitude que transforma tudo que está ao seu redor. Para Dra. Carmem e para o José Renato a vida não lhes deve nada e tem o sabor de um MILK-SHAKE.

terça-feira, 17 de maio de 2011

VOLUNTÁRIOS

O tema escolhido para este texto é dos mais importantes. Falar do que significa realizar um trabalho voluntário talvez não caiba em nenhum editor de textos já inventado pela tecnologia. Mas ao contrário do que se pensa, o texto será curto e certeiro, pois ele precisa se parecer com o trabalho voluntário: ser efetivo.

Doação é o que o ser humano tem de melhor. Em um final de semana, participamos de um destes trabalhos voluntários que visa fortalecer a família dentro da sociedade. Eu e minha esposa coordenamos uma equipe maravilhosa composta por vinte e duas pessoas de alto calibre no que se refere a visão de mundo, a estar disponível para realizar aquilo em que acreditam. Encontramos pessoas maravilhosas que realizaram um trabalho igualmente maravilhoso. Todos nós acreditávamos naquilo que estávamos fazendo e através de uma entrega total, colhemos os frutos, melhoramos um pouquinho mais o mundo onde vivemos.

O que fizemos, onde trabalhamos e quem são estas pessoas não vou poder divulgar aqui, pois faz parte da natureza deste trabalho. A única coisa que posso indicar é que se você ainda não participou de nenhum trabalho voluntário, procure um que seja de sua vocação e realize com toda sua energia. Irá ver o quanto de satisfação isto lhe trará. Nos lugares onde tais trabalhos são realizados haverá uma placa sempre com o mesmo dizer mesmo ela não estando lá fisicamente: HÁ VAGAS. Igrejas, ONGs, associações de bairros, escolas, praticam em algum momento serviços desta natureza. Adentre por estas portas e descubra um mundo diferente.

Apesar das mazelas do ser humano, tem muitas pessoas querendo mudar o mundo. E o voluntariado é uma das formas de efetivar esta mudança. Fica aqui a minha admiração por todos aqueles que de alguma maneira contribuem para transformar o mundo através do serviço voluntariado, empregando o amor em um de seus melhores formatos.

Obs: Sonhar não custa nada não é ? E se os cargos políticos municipais (principalmente o de vereadores) fossem de natureza voluntária e não remunerados ? Sobraria alguém ? Teríamos melhores nomes ? O aceite do trabalho voluntário se dá através do coração e significa servir. Só por este motivo talvez já melhorasse algo e teríamos pessoas comprometidas não com a recuperação do que se gastou em campanhas e outras coisas mais. Para pensar!!!

terça-feira, 22 de março de 2011

40 do primeiro tempo.

    Na iminência de adentrar para o seleto time dos que já completaram 40 anos no próximo dia 27 de março, desafio-me a falar um pouco disto nas próximas linhas. O que será que pensa o homem que completará 40 anos ? Ia fazer esta pergunta colocando o artigo indefinido "um" homem, mas seria muita pretensão querer representar toda a classe aqui, visto que cada um pensa de maneira diferente. Tentei entrar na minha cabeça para fazer uma auto-entrevista. Fazendo uma analogia com um jogo de futebol, como o título do texto sugere, quando se chega aos 40 minutos de um primeiro tempo, o jogo está quase acabando e aí os times descerão ao vestiário para recuperar as forças e voltar para o segundo tempo seja para manter ou ampliar o placar quando se está ganhando, ou correr um pouco mais quando se está perdendo. No futebol o placar é formado pelo gol marcado ou sofrido. Na vida, a grande incógnita é saber definir muito bem o que forma o seu placar, inclusive para posteriormente poder saber se você está ganhando, empatando ou perdendo.

    Pensando um pouco mais a respeito, o meu placar é formado por diversos fatores dos quais comecei a fazer uma análise. Cheguei a conclusões e defini o que hoje é muito caro a mim, que eu denomino de elementos essenciais, que são compostos por fatores tais como família, amigos, saúde, espiritualidade e cultura. E nestes termos estou ganhando de goleada.

Família: Talvez seja uma vocação formar uma família. Coloco este item no topo, pois não tem como ser diferente. Tudo passa, o concreto fica, mas sua família te dá àquilo que em nenhum lugar do universo irá conseguir. É este ambiente que lhe proporciona grandes alegrias e grandes tristezas. Minha família é maravilhosa e contém os mesmos elementos que todas as outras: diferenças, abraços, beijos, desentendimentos, solidariedade, falhas, acertos, amor, problemas, decepções, união, apoio, exigências, apego, carinho, consenso, contrassenso, tudo isto tanto para mais quanto para menos em determinadas situações. Isto porque todos são pessoas como eu. Qual família é diferente disto ? O fato é que na essência todo mundo é bom e eu sinto isto quase que fisicamente. Independente dos fatores citados anteriormente estarem no mais ou no menos, amo todos eles.

Amigos: Fato que não posso reclamar. Tenho muitos e aqui desmistifico que qualidade significa redução da quantidade. Neste item, no meu caso, não existe regra de proporção. Tenho diversos amigos, muitos amigos mesmo. Dizem que nas situações de aperto é que saberemos quais são eles. Talvez, mas isto pouco importa agora. O fato é que tenho retirado de todas as pessoas que me cercam belos exemplos de seres humanos. E a gente sente quando as pessoas gostam da gente, que querem o nosso bem. Isto me dá uma energia muito boa na vida, sinal que estou seguindo um bom caminho. É o meu termômetro. Também aprendi que não é uma fagulha de comportamento de qualquer destas pessoas que a destronam do posto de amigos. Queremos as pessoas do jeito ideal para nós e aí o crivo fica afiado para definir quem é ou não passível de ser considerado amigo. É evidente também que existem pessoas muito difíceis de conviver, mas o problema é com elas mesmas, pela rigidez cognitiva em demasia. Mas os amigos são os pilares e para ter ou ser amigo, é preciso apenas abrir o coração. Não pode ter exigência. Muitos dos que não encontro há tempos, dedico ao menos uma oração como um modo de mantê-los por perto. Não me atreveria a escrever o nome de todos estes amigos aqui, visto que não me perdoaria em esquecer algum nome desta minha enorme lista. O fato é que muito provavelmente você que está lendo este texto é uma destas pessoas especiais das quais cito.

Cultura: Deus me presenteou com um dom de apreciar as coisas boas. Independente dos Big brother's ganharem espaços, das músicas ridículas tocarem ininterruptamente nas rádios (o que virou a minha amada Rádio Aparecida é inacreditável), dos programas televisivos cada vez mais ridículos, continuo atraído por coisas boas e não somente para poder bradar aos quatro cantos que não assisto e depois em casa assistir a todos estes programas. Falo com propriedade, pois me considero iluminado por não me interessar por nenhuma destas porcarias citadas anteriormente pelo simples fato de não gostar mesmo. Que sorte a minha. Continuo apreciando o que o homem produz de melhor seja na música, no cinema, na literatura, nas artes em geral. Este ponto é muito importante para a vida. Saber apreciar, pesquisar aquilo que nem sempre é divulgado. Ter aprendido música aguçou esta sensibilidade e como conversava por estes dias com um grande amigo, isto muda o seu jeito de viver, de agir, a meu ver para muito melhor. Saber tirar som da imaginação, de um instrumento, nos torna mais gente, mais forte no lado humano. É uma forte ferramenta para lidar com circunstâncias da vida e um tipo de inteligência das mais importantes, classificada há anos atrás como inteligência emocional.

Espiritual: Acredito que consegui traçar uma linha bem clara sobre razão e espiritualidade. Uma das coisas que adoro é a filosofia. Em minha opinião, existe uma linha limítrofe a respeito da filosofia e da religião. Quem não sabe exatamente onde termina uma e começa a outra, tem grande chance de viver uma vida muito vazia. A religião quando usada sabiamente e quando se consegue entender exatamente qual o seu sentido, abre muitas possibilidades de crescimento como pessoa. A filosofia idem. Como pode o casamento entre filosofia e religião ? Acredito ser perfeitamente viável, desde que se tenha equilíbrio no discernimento das duas coisas. E comigo tem sido assim. Acho que estou encontrando o ponto certo. Quem se radicaliza em um dos dois pontos, torna-se em algum momento vazio, pois as respostas consistem justamente no casamento das duas coisas na minha humilde opinião. A espiritualidade engrandece o homem tanto quanto o conhecimento filosófico.

Saúde: Item fundamental para ter o resto das coisas aí de cima. Não tenho do que reclamar. Até hoje, tudo vai muito bem e sou muito grato a Deus por isto. Quem não tem um problema ou outro ? Mas acho que o tamanho destes problemas torna injustificável a sua narrativa diante do todo.

    O jogo tem caminhado muito bem para o meu lado. O fato é que às vezes outros fatores entram na frente e distorcem tudo isto. É preciso estar com estes indicadores muito claros na nossa cabeça, pois do contrário, a busca frenética pelos dias atuais nos confundem e somos capazes em certos momentos de pensar que a vida não anda boa. Mas é lógico que a vida que chega aos 40 também traz questionamentos e dúvidas.
Tomando um chopp com um amigo que está morando em outro país deparei-me com uma brincadeira feita por ele que também é deste quadro de idade; disse-me "olha rapaz, você já tem mais passado do que futuro !" Devolvi a brincadeira dizendo "Vou enterrar todos vocês, eu prometo !" Silêncio. Troca de olhares e gargalhadas a seguir. Brincamos com o fato de estarmos virando os 40, numa boa, sem trauma. Quando alguém pergunta minha idade, eu respondo sem dor, não tenho crise quanto a isto. O fato é que no futebol onde jogo bola hoje sou o mais velho (ainda dou trabalho para os meninos mais novos); na empresa onde trabalho os meninos mais novos começam a me chamar de senhor. Evidente quando se fala em idade, fazemos uma correlação em algum lugar de nosso inconsciente com a morte por estarmos nos aproximando cada vez mais dela mesmo que ainda esteja distante. Isto permeia o inconsciente coletivo também. Em algum lugar em nossos pensamentos, tem uma ampulheta virada e a areia está caindo. José Saramago brinca em "As intermitências da Morte" retirando a entidade de nossas vidas e é interessante perceber o que acontece, se a vida melhora ou piora. O primeiro ponto é estar bem resolvido quanto a este assunto e o fato é que ninguém consegue por mais que pronuncie que sim. E o homem de 40 anos que sou prefere esquecer isto por enquanto, prometendo retornar a este assunto um pouco mais a frente no tempo, quando estiver melhor resolvido.

    É o homem de 40. Alguns chamam os questionamentos que temos em certa idade como crise de meia idade. Eu mudaria isto, talvez todos nós passamos por uma segunda adolescência. Muito mais do que as transformações físicas (cabelos brancos ou a falta de cabelos de qualquer cor) um homem de quarenta anos enfrenta sim uma nova adolescência, porém, com uma maturidade muito maior para diferenciar exatamente as inquietações que realmente merecem ser pontuadas. Lá na primeira, uma espinha incomoda tanto quanto a dificuldade de se escolher um futuro. Na segunda, o que incomoda são fatores que batem de frente com aquilo que você acredita e que nesta altura da vida está muito claro e consolidado na personalidade. E daí, tal qual fazemos na primeira adolescência, precisamos fazer diversas escolhas, talvez mais duras e necessárias. Talvez segunda adolescência seja mesmo o nome apropriado, pois pensava que todas as dúvidas estariam resolvidas com a maturidade. Que nada, algumas foram resolvidas, outras surgem. Às vezes a gente vive uma situação meio que parecida com Sócrates, o filósofo que tanto nos ensinou: "só sei que nada sei". Tenho esta convicção principalmente depois que vejo que atualmente a pessoa que mais me ensina os conceitos da vida tem apenas oito anos de idade e chama-se José Renato. Só sei que nada sei, ou se preferir, só sei que tenho muito ainda a aprender. Se o que move o ser humano são as perguntas e não as respostas, ainda tenho muito a caminhar. Lembro-me de ter conversado com Dona Raimunda, avó do Lô Borges, quando estava completando seus 100 anos de idade, abordando sobre o segredo desta longevidade e ela me respondeu o seguinte: esqueça logo seus problemas, reze e faça palavras cruzadas. Talvez seja uma boa receita, pois a dona do conselho foi-se embora aos 103 anos, com pequenos problemas comuns do desgaste da carcaça física, mas a mente, completamente saudável.

    Apesar de todas estas dúvidas que ainda vão perdurar por tempos, na trajetória dos 40, começamos a buscar e iniciamos uma compreensão de como queremos marcar nossa passagem por aqui nesta vida, qual a nossa missão aqui nesta passagem e começamos a querer alinhar cada uma de nossas atitudes a esta descoberta. Como seremos lembrados, depende realmente das atitudes do agora. Começo a escrever hoje o meu passado e tomara que ele seja bem escrito, pois muito lá na frente, ele será o livro de cabeceira de todas as noites.

    A todos envolvidos direta ou indiretamente à minha vida nestes 40 anos o meu muito obrigado por tornar minha existência significativa. O blogueiro dá a liberdade de desejar a si mesmo muitos anos de vida e dizer a todos que a vida é maravilhosa. Que ela comece todos os segundos, todos os dias, em qualquer idade. Sou neste momento o maior admirador da frase "A vida começa aos 40".

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Férias

    Depois de umas merecidas e ótimas férias estou de volta aqui neste espaço dedicado a reflexões do cotidiano e o tema não poderia ser outro a não ser falar sobre férias. Não são apenas os trajes que ficam mais leves durante este período, mas também as pessoas ficam mais abertas, disponíveis e com semblante de gente. Isto é fato comprovado principalmente quando a gente viaja e encontra pessoas de diversos outros lugares. E nestas férias tivemos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, que tornaram nossos dias especiais, pelo simples fatos delas estarem abertas a interagir, a querer formar uma espécie de família "postiça" em um lugar neutro. Foi assim que nos sentimos nestes dias em que convivemos juntos. Tínhamos todos os ingredientes para que pudéssemos passar dias felizes pois a interação ocorreu entre pessoas de gerações diferentes, profissões diferentes, classes sociais diferentes, de origens diversas mas que tinham em comum o gosto pelo conviver. Reunidos ali no mesmo "balaio", tínhamos músicos, psicóloga, arte terapeuta, professores, estudantes; brasileiros e cubanos; paulistas, mineiros e cariocas; crianças, jovens, adultos e experientes. Estabelecemos por poucos dias o que gostaríamos que acontecesse em nossas vidas em todos os momentos, onde os pequenos prazeres tais como um café, um almoço, uma pizza ou um sorvete degustados literalmente no coletivo e acompanhados de uma boa conversa se tornavam algo completamente especial. Se a bolsa de valores estava em alta ou em baixa, pouco interessava.

Em um dos dias que por ali permanecemos, nossos filhos, por iniciativa própria se reuniram e decidiram comer uma pizza no restaurante do hotel. Olhando aquela cena, minha amiga Simone, mãe de duas meninas absolutamente especiais, professou uma frase feita: "'É isto que a gente vai levar da vida ". Frase feita sim, mas indico que nunca vi uma frase feita ser dita num momento tão apropriado e com justificativa tão a altura. Além disto, a frase saiu do coração e não da boca, o que complementou ainda mais o seu efeito.

    As conversas foram realmente o ápice daqueles dias. E conversas sobre assuntos dos mais variados onde falamos da vida. E como é importante encontrar pessoas que estejam com o semblante de gente (repetindo) para que possamos ter a oportunidade de comprovar que a vida não é este posso de tensão a que nos submetemos todos os dias. Com este espírito totalmente aberto, é possível compartilhar, aprender.

Falo sim em aprender. Com meu amigo Anselmo, músico profissional que toca piano nos bares do Rio de Janeiro, em nossas longas conversas (quando músico encontra músico a coisa se estende como vocês nem possam imaginar) pude verificar que o conceito de felicidade é realmente subjetivo. Em nossas conversas, ele relatou que os freqüentadores dos restaurantes onde ele toca são médicos, executivos, advogados tendo como característica um elevado padrão financeiro. Não é que vários destes chegam a beira do piano de caldas e professam a seguinte frase ao músico: "Se eu pudesse trocaria de lugar com você !" Pessoas que ganham em um mês o que nós talvez levaremos anos para igualar. Está aí a grande dicotomia entre o mundo real e o imaginário. É certo que todos tem a visão lúdica da profissão músico, mas tem outras coisas por trás desta frase. Anselmo também é bem sucedido e talvez muito mais realizado do que muita gente que passa por ali. Talvez aos nossos olhos isto pareça impossível, mas basta conversar com ele para comprovar o fato.

Com minha amiga Simone, a pessoa que congrega, pude aprender que os resultados de nossas convicções se trabalhadas sem desistência irão refletir diretamente em nossos filhos. A arte terapeuta, esposa de nosso amigo Vagner que infelizmente não pode estar conosco nestes dias, apresenta para o mundo duas filhas Ana Luiza e Ana Beatriz, duas jovens que já estão fazendo a diferença para os que convivem com elas. Conversando com Simone é possível saber porque as Anas são especiais. Simone é capaz sem fazer esforço de nos fazer sentir de casa, como velhos conhecidos (e acho até que já somos mesmo !). Em nossas conversas, suas colocações a respeito daquilo que pensa da vida principalmente nos aspectos familiares é de uma precisão quase que cirúrgica de tão certeira na habilidade de unir palavras aos seus pensamentos. Além disto, Simone nos presenteou com sua simpatia, nos jantares do hotel, sempre agregando a turma.

Com Ana Luiza e Ana Beatriz, respectivamente com 13 e 14 anos pude ver o quanto a educação vinda de berço faz a diferença no ser humano. As duas foram capazes de nutrir uma amizade por José Renato de 8 anos, coisa que talvez outras adolescentes nesta idade sequer cogitariam em levar adiante. Não só por isto, mas pela fina educação que é notória, aprendo que o período de adolescência pode ser algo mais divertido e sensato do que vemos por aí.

Com os recreadores Maurício e Lilo e com o chef do Hotel, Paulo, verifico o quanto é importante ser competente naquilo que se faz. Maurício e Lilo lidam com as crianças com maestria a ponto de nossos filhos adorarem estar com eles e nos deixando tranqüilos com relação a isto. Além disto, nos divertem também em nossas saídas. Agora, se o Barack Obama experimentasse os pratos do chef Paulo, ele iria falar "This is the man !" É o cara em que tudo onde ele coloca a mão vira "ouro". Acredito que se eu pegar um ovo mal feito por mim e pedir para o cara dar um jeito, ele faz virar um prato inesquecível. A gente passa diversos dias sem que o cara faça uma coisa sequer que não agrade ao paladar. Tive na cozinha e falei a ele que está proibido de se aposentar enquanto eu viver.

Com Luben e Issara, nossos amigos Cubanos pude ter uma aula sobre Cuba de quem viveu lá dentro. É impressionante como a visão de um ser humano pode piorar tanto assim a vida das pessoas. É impressionante como as fronteiras imaginárias podem limitar a liberdade e a vida de tantos. Como uma ideologia pode ser utilizada para benefício de poucos e como intelectuais do mal podem ser comprados a apoiar o que é ruim em detrimento dos intelectuais do bem que são presos e torturados pelo simples fato de expressarem o que os olhos vêem. Como a rigidez por parte dos governantes do lado de lá (Cuba) e do lado mais de lá (USA) pioram a vida das pessoas. Fronteiras imaginárias, resquícios de uma guerra imaginária. Além disto, ser humano é gente em qualquer lugar, seja em Cuba, China, Arzebaijão. Será tão difícil perceber isto ? Conversando ainda com Issara é possível constatar que ainda tem preconceitos tupiniquins sobre cubano ser fugitivo. Difícil de acreditar e aceitar. Luben e Issara são pessoas muito agradáveis de finíssima educação e de uma inteligência singular. Gente da boa safra do mundo.

Com José Renato e Erika, aprendo o quanto é importante o tempo em que ficamos juntos neste período e independe se faça chuva ou sol. Descubro que férias só tem sentido com eles por perto e muito perto.

    Pergunto, onde seria possível aprender tanto assim ? Férias tornam-se sinônimo de aprendizado e vida. Aliás, abre-se a discussão: as férias deveriam ser uma extensão do trabalho ou o trabalho deveria ser uma extensão das férias ? Férias é uma compensação dos dias mal vividos dentro das organizações?

É difícil responder. Ao pensar um pouco sobre isto e observando o que está ao nosso redor tudo deveria ocorrer como acontece com as crianças. Aproveitam as férias e em determinado momento ficam com saudades da escola. O modelo de trabalho e a forma que as organizações se utilizam para adaptar a realidade do novo capitalismo, onde as margens diminuem sensivelmente e a concorrência aumenta em proporções globais, geram uma pressão desmedida que contribui para que o sentimento de prazer apareça somente e apenas quando se está longe delas. Não deveria ser assim, mas o fato é que as pessoas têm sede de estender este comportamento que aparece nas férias para dentro do local onde trabalham, mas na maioria das vezes não conseguem. Por isto daqui em diante talvez seja importante pensar no que diz Domenico de Masi, sociólogo Italiano em sua colocação sobre o Ócio Criativo, que alia trabalho, estudo e lazer dentro da filosofia de vida. Vale a pena ler um pouco mais sobre isto. Fica a recomendação.

Então quando você estiver de férias e falar isto para alguém e receber a devolutiva de que você é muito folgado ou coisa parecida, desdenhe, pois férias é muito mais do que colocar havaianas nos pés. É a oportunidade de viver, aprender, experimentar a criatividade, compartilhar e poder dizer uma pequena frase feita : "É isto que vamos levar da vida !"

Abraços a Anselmo e esposa, Simone, Ana Beatriz, Ana Luiza, Maurício, Lilo, Lubhen e Issara e filhos, Paulo e a todos que deixaram nossos dias especiais neste janeiro de 2011.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011

Estamos prestes a entrar em mais um ano e sempre nesta época temos a oportunidade de nos revigorarmos diante dos desafios que temos pela frente. E eles não são poucos. O Natal dá um ar diferente ao final do ano e nos prepara para abertura do próximo ano. Se fizermos um balanço do ano de 2010 com certeza todos nós encontraremos motivos para nos alegrarmos e motivos para entristecermos. Não é exclusividade de 2010, pois assim é a vida em todos os anos onde o corpo e alma estiverem vivos. Digo isto pois nem sempre o corpo morre primeiro que a alma. Sendo assim se a alma estiver morta, não vai ter ano que seja bom. Já se a alma estiver viva, saberemos olhar para 2010 com sabedoria daqueles que conseguem ver as dádivas que a vida nos apresentou todos os dias e daí com este mesmo espírito olharemos para 2011 do jeito certo. Escrevo este texto depois de visitar um amigo que sofreu um acidente de moto e está no hospital esperando para operar o fêmur e o dedão da mão, objetos de fratura durante o tombo. Em conversa lá com este amigo, ficamos sabendo do médico que a recuperação parcial se dará em 6 meses e a total em 1 ano a base de muita fisioterapia, tudo isto após uma cirurgia que ainda iria ocorrer para colocação de platinas e parafusos. Este está sendo o final de 2010 deste meu amigo. Conversando com ele, escutei o relato do acidente e logo após, as reclamações de ter de ficar na cama, do tempo de recuperação, da dificuldade que iria ter para tocar a sua empresa agora com este problema, dos empecilhos gerais, coisa que todos nós iríamos fazer se estivéssemos no lugar dele. Mas pelo relato do acidente, só consegui pensar num fato: "o cara tá vivo" e mal consegue ver isto. O ano de 2010 acabou bem ou mal para ele ? Depende muito do ponto de vista. O ritmo de vida atual tem nos levado a pensar deste jeito; achamos que somos quase imortais, que não temos necessidades especiais, que não podemos parar nunca. Estamos parecendo um fast food em ritmo e em falta de qualidade.

( Chega até a ser engraçado quando vemos depois da invenção do Fast food um movimento chamado slow food. Para mim os dois são ridículos e olha que quem inventa e fala sobre o slow food é considerado um guru. O certo é o caminho do meio e a minha avó daria este conselho sem receber um tostão por isto.)

Voltando um pouco a questão do ano que se aproxima, a grande notícia é que ao começar um novo ano, podemos experimentar a ressureição dos vivos. Isto mesmo. Melhorar um pouquinho, reforçar o que foi bom, corrigir o percurso da vida, ajustando nossa maneira de pensar e desenhar o mundo em que vivemos. Eu particularmente acredito muito que a existência é uma caminhada onde vamos melhorando um pouco mais a cada ano. A maturidade trás consigo a consolidação de valores dos quais nunca mais abriremos mão. Isto tem o lado bom e o lado ruim como em tudo na vida, pois da mesma maneira que nos indignamos com mais freqüência diante de fatores que contrariam estes valores, criamos forças em iguais proporções para lutar para mudar tais fatos. E 2011 está prestes a se tornar parte desta caminhada.

Agora no final do ano é comum nos almoços da empresa escutar a pergunta sobre o que podemos esperar de 2011, especialmente no Brasil onde trocaremos de presidente e teremos um Tirica com representante maior da classe política ?

Eu respondo a esta pergunta dizendo que particularmente acredito que a transformação do nosso país se dará pelas pessoas comuns, pela conscientização de nossos direitos e deveres, pela vontade de deixar um legado para as próximas gerações que virão em todos os aspectos da vida. Isto vai muito além de qualquer força política contrária que possamos encontrar pelo caminho. É crescente a necessidade de alinharmos nossas ações com as necessidades globais. Fatores como a utilização inteligente de recursos naturais, envolvimento maior nos problemas sociais ao nosso redor, fortalecimento de valores como ética e honestidade, envolvimento na comunidade onde estamos inseridos, precisam passar a compor regularmente nossa caminhada de vida.

Nossa visão do mundo tem de estar muito conectada com estas necessidades e isto precisa ser um exercício de todos os dias. Precisamos que todos comunguem da idéia de que para que um ganhe não necessariamente o outro precisa perder. Não se trata de socialismo mas de "humanismo". É assim que deve ser a vida tanto no campo pessoal quanto que no profissional. Eu sinto que tem mais gente pensando assim e colocando isto em prática.

Fico tranqüilo em saber que vários de meus familiares e amigos são pessoas que pensam grande e que me ensinam muito sobre o que é viver, que fizeram meu 2010 ser espetacular e seguindo com eles e outros que vão se aproximando, não há o que temer em 2011. Em 2011, além de meus familiares e amigos, continuarei meu foco nas pessoas comuns. Vou continuar admirando os Josés e Marias que vão trabalhar todos os dias de manhã e voltam a noite e administram uma casa com um salário mínimo; admirando todos os casais que cuidam bem de seus filhos; todos os voluntários que trabalham em qualquer causa de ajuda ao próximo; aplaudindo o empresário que gera postos de trabalho em sua empresa e que pensa além do lucro tentando melhorar a vida dos que ali estão; admirando os professores que sabem da responsabilidade de lecionar com propriedade apesar dos pífios salários recebidos; curvando-me aos que defendem a integridade da família (em especial a minha sogra que faz isto como ninguém); homenageando as mulheres que exercem em sua maioria jornada dupla.

Em 2010 nasceu este projeto do blog, uma das coisas que gostaria muito de fazer. Em 2011 ele completará seu primeiro ano de vida. Só por isto estes dois anos ficarão marcados em minha trajetória de vida. Aos amigos que tem seguido e me dado o prazer de encontrá-los através das palavras não poderia deixar de desejar em especial, um 2011 fantástico a vocês. Aos seguidores Carla Farinazzi, Vana, Luciano, Cinthia, Vitor, Áurea e Agostinho, Erika e José Renato (inspirações), Silvania, Raquel, Hoffmann, Careca, Rogério, Marcelo/Paulo/Cacá (os Bicaratos) , Sandro, que me incentivam na continuidade da escrita, a minha mais profunda gratidão. Aos demais que passam por aqui e que ainda não deixaram suas marcas também o meu agradecimento.

Espero encontrá-los diversas vezes por aqui onde as palavras soltas consigam nos unir cada vez mais em pensamento, em valores e em filosofia de vida.


Um Beijo no coração de todos vocês !!!

Vivemos 2010 e VIVA 2011 !!!!


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal

O que realmente é importante neste Natal ? Confraternizar com amigos e familiares de certo seria a resposta que mais rápido nos viria à cabeça. Mas este ano experimentei um Natal antes do dia 25 de dezembro. No dia 19 de dezembro, fui apreciar a apresentação de um coral na igreja metodista de Guaratinguetá. Chegando lá, já preparado para ouvir as músicas, deparei-me com um pastor da igreja falando algumas palavras antes da apresentação, que me fizeram refletir a respeito. Em suas palavras estavam a explicação do Natal e como o sentido foi alterado nos dias atuais. Ele discorreu a respeito deste fato e ao final de sua mini pregação, convidou a todos que estavam ali a vivenciar o Natal naquele momento. Isto mesmo, sem ceia, sem presentes, sem o banho mal tomado de bondade que fingimos obter doando nossos brinquedos velhos às crianças pobres somente num único dia e viramos as costas paras os outros 364 dias do ano. Sem a neura de comprar o que vemos pela frente para presentear a quem gostamos. Não que tudo isto seja errado ou condenável, mas reflitamos bem, o Natal é muito mais do que isto. Ali foi um convite para viver o sentido do Natal. Confesso que não fui ali buscar ouvir explicações sobre o Natal, mas fui para ouvir músicas natalinas. Ele continuou ainda dizendo que o coral não estava ali para apresentar um espetáculo. Longe disto, o coral iria apenas ajudar a transmitir as explicações do verdadeiro sentido do Natal. Aceitei o convite e a apresentação se deu durante uma hora, com músicas agradáveis, com a leitura de textos entre as músicas inspirando a refletirmos como o Natal poderia acontecer e como ele poderia deixar de acontecer. No intervalo de cada música cantada nada de palmas, pois como foi explicado, aquilo não era um show.

Achei muito interessante mesmo não sendo membro nem freqüentador de tal igreja. Não acho realmente que dar presentes nesta data seja errado. Acredito apenas que é uma data que merece uma espiritualidade maior independente da crença. Assim completaremos o sentido do Natal. É aproveitar para fazer uma reflexão no sentido do que realmente estamos fazendo para ajudar o outro. Não é no ano novo, na passagem de um ano para o outro que a esperança se renova, mas exatamente no Natal, no nascimento de Jesus que é proveniente de uma família onde eu acredito estar a solução de todos os problemas do mundo. Sim, na família. E foi de uma família comum e com união que veio Aquele que pregou a simples atitude que poderia reger o mundo e melhorar todas as coisas "Ama o teu próximo como a ti mesmo". Parece um clichê, mas dê uma pensada melhor no poder que esta frase poderia exercer se fosse tomado na prática. Sempre antes de tomar uma atitude repitamos a frase acima como balizador de nossos atos.

Aproveitando o autor do blog que vos escreve deseja que esta espiritualidade encontre cada um de vocês que aqui me dão a honra com sua visita.


 

FELIZ NATAL !!!!!